Quem vos Fala… Thainá Soares

A literatura entrou na minha vida desde que me entendo por gente. Na voz de uma grande mulher as histórias saiam do papel e me contemplavam de prazer. Essa mulher me ensinou quase tudo que eu sei. Para mim o nome dela é Mamma e para vocês ela é simplesmente a dona Fátima. Aos nove anos queria ler meus próprios livros, e não entendia porque minha mãe escolhia os meus livros. Ela falava “existem certos livros que temos de ter amadurecimento para lê-los”. E ela escolhia alguns para eu ler.

Thainá

Meu primeiro livro foi Alice no País das Maravilhas. Eu me maravilhei com aquele livro, mas no meu aniversário de dez anos minha mãe me deu O Pequeno Príncipe, disse-me para ler o livro a cada dez anos, em cada data eu ia me ver em um personagem. Na verdade até pouco tempo eu não sabia porque minha mãe tinha tantos enigmas, mas ando descobrindo aos poucos. Ela faleceu quando eu tinha 15 anos, eu não era popular e nem queria ser, era só uma menina que queria estar sozinha com os filmes e livros, as letras de música, o fone de ouvido, mas sofria com isso. Era como se eu rejeitasse ser diferente isso me matava por dentro, por outro lado ela já sabia como lidar comigo, ela me dava o que fazia feliz, me fazia enxergar as estrelas. Era uma mulher excelente, uma das poucas pessoas que me apaixonei na vida.

Quando ela faleceu eu quis esquecer quem era. Parecia doer menos. Parei de ler, de escrever, fazer poesias, muitas coisas aconteceram em quatro anos. E eu me apaixonei por outra pessoa, ele realmente me fez enxergar o que eu precisava, o que eu era. E ele gostava de mim, falávamos sobre tudo, sobre magia, sobre amor, sobre as pessoas. Eu podia me expor do jeito que queria. Na época estava lendo o livro Um Dia do autor David Nicholls, o livro faz todo sentido, na época não aceitei aquela história muito bem, e agora, depois de um certo tempo, entendo o que ele queria me transmitir, e sinto que minha mãe tinha toda razão sobre o amadurecimento para se ler um livro. Hoje eu estou sem ele, mas agradeço a ele por ter me achado, estou segura de mim, mesmo com as tempestades me pertencem, descobri que o meu mundo ter haver com pessoas únicas, que me fizeram enxergar o quanto é bom me sentir livre. Talvez a felicidade seja isso. E no mundo dos livros eu me sinto realmente livre.