[Entrevista] com a Autora Day Fernandes

Olá, tudo bom?

É com muita honra e felicidade que publico a primeira entrevista aqui no Entre nos Mundos. Hoje trazemos a autora de contos e livros, Day Fernandes, que nasceu em Brasília na década de 90, formada em psicologia e estreou no mundo literário em 2015, permeando em Romance, sci-fi e fantasia, tendo como característica personagens femininas fortes e determinadas.

Em novembro está rolando a #MaratonaFortaleza, e é claro que o Entre nos Mundos não ficaria de fora. Por isso, aproveitei para saber mais sobre a autora e a obra. Segue a entrevista:

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Qual foi a inspiração para escrever a duologia Fortaleza?
R: A Fortaleza na verdade teve muitas inspirações. Tudo começou com um trabalho da faculdade sobre bombas nucleares e o poder de fogo delas. Essa pesquisa unida as algumas teorias da conspiração e a própria psicologia, área em que sou formada, agregaram elementos para a história. E assim nasceu esse universo sombrio, que traz desde elementos simbólicos como a escuridão que é parte do cenário, até elementos reais que existem hoje e possíveis protótipos do futuro.

Como você se sentiu quando finalizou a obra?
R: Foram várias emoções ao mesmo tempo. A dificuldade em desapegar dos personagens de vez, a ansiedade sobre a opinião dos leitores. Mas o que mais prevaleceu foi a sensação de “missão cumprida”, já que levaram quase quatro anos para a duologia ser concluída.

Houve alguma história ou autor que você se inspirou na narrativa para escrever seus livros?
R: Tenho muitos autores que me inspiram. De nacionais, cito sempre meu querido mentor André Vianco, com quem fiz cursos de escrita, além de ser um exemplo de garra no mercado literário. Já no cenário internacional, tenho um carinho especial pela J. K. Rowling, Stephen King, a Margaret Atwood, que representa muito bem as mulheres escritoras na ficção científica.

Você sempre pensou no livro como sendo uma duologia?
R: Sim, desde o início a história tinha dois volumes. Em cenários bem diferentes, os personagens descobrem que passado e futuro sempre estiveram interligados.

Qual parte foi mais difícil para você escrever?
R: No segundo livro, tem um capítulo especifico que foi muito difícil para mim. A tensão da cena me envolveu e várias vezes precisei parar para respirar. Me emocionei, e ao final acabei chorando.

Você tem carinho por um personagem específico? Se sim, qual seria e por quê?
R: Por mais que a protagonista seja a Camille, eu tenho um lugar especial em meu coração para a Sarah. Com seu jeito impulsivo e otimista, apesar das aparências, ela é uma mulher muito forte, madura, é a cola que mantém todos os personagens unidos ao longo dos livros.

Em algum momento pensou em desistir dos seus livros?
R: Sim, com certeza. Houveram momentos difíceis nesses quatro anos de jornada até a publicação do segundo livro. Entre decepções, golpes em que acabei caindo no começo da carreira, falta de tempo e também a desvalorização do escritor nacional, por muitas vezes pensei em desistir. Mas com o apoio e carinho dos leitores, continuei um passo de cada vez.

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Falando sobre os personagens, a Camille é uma personagem determinada e influenciadora. Você a sente como sendo seu espelho?
R: Na verdade, vejo a Camille como o espelho de várias garotas. Mulheres que lutam por um futuro melhor, por seus amigos, sua família, que não medem esforços para defender aquilo em que acreditam e enfrentam obstáculos todos os dias para vencer e alcançarem seus ideais.

Lendo o livro, achei como se fosse um espelho do passado no futuro. Quando estava escrevendo, você sente que nós estamos caminhando para uma era que poderemos fazer o mesmo que já fizemos no passado?
R: Infelizmente, temos visto várias dessas repetições acontecendo agora mesmo. Erros do passado que estão sendo considerados e apoiados como se nunca tivessem existido. É triste, é absurdo às vezes. Espero que possamos tomar um caminho diferente e aprender com esses erros.

Qual a sua frase preferida nos livros A Fortaleza?

R: Tem uma que me marcou e que retrata bem não apenas o cenário do livro, mas o nosso cotidiano. É a seguinte: “Ninguém se sente responsável por uma morte se não apertou o gatilho com as próprias mãos.”

De onde vêm os seus personagens? são inspirados em pessoas reais ou em fatos?
R: A maioria vem de um conjunto de características de várias pessoas. Mas também me inspiro inteiramente uma única pessoa as vezes, como é o caso da personagem Eleonor, que foi inspirada na ucraniana Lyudmila Pavlichenko, uma franco-atiradora que combateu na 2ª Guerra e ainda hoje é considerada a mais bem sucedida da história.

Nas lutas, você faz algum exercício para imagina-las e poder descreve-las?
R: Cenas de luta são sempre as minhas preferidas. Eu gosto das minhas com muita ação, então visualizo cada passo na minha cabeça, como se fosse um filme e então vou descrevendo os movimentos. Assistir filmes e vídeos com cenas parecidas também me ajuda muito e principalmente gosto de planejar antes os detalhes. Se tem alguma arma envolvida, se haverá luta corporal, quantos inimigos atacarão por vez, essas coisas.

Houve alguma critica que inicialmente lhe pareceu negativa ou positiva, mas que te ajudou de certa forma na escrita?
R: Várias! Já tive críticas muito construtivas e que me ajudaram demais, por outro lado, já tive aquele tipo também que ataca não apenas o livro, mas o autor como pessoa. Esse segundo tipo eu procuro não dar importância, porque não vejo como me ajudar em nada.

Se você pudesse dar um conselho para quem quer escrever, qual seria?
R: Eu diria para não dar ouvidos para o que as outras pessoas vão dizer. Pois muitos nos colocam para baixo, dizem que não tem futuro a vida de escritor, ou que temos que ser adultos. Então meu conselho é escreva sim! Escreva sobre o que você ama, sobre o que odeia, sobre tudo que você quiser!

Você começa a escrever com um vislumbre do clima, atmosfera, ambiente, ou tudo acontece no “escrever” mesmo?
R: Antes de colocar a mão na massa mesmo, eu prefiro ter algumas coisas planejadas. Personagens principais, características deles, o cenário. Pelo menos começo, meio e fim, mas nada muito rígido também. E depois vou preenchendo as lacunas com detalhes que surgem ao longo da escrita.

Quando começou a escrever, já fazia planos de seguir carreira?
R: Eu nem pensava em um dia publicar um livro quando comecei a escrever. Era aquela fase da adolescência, então eu tinha vergonha de mostrar para as outras pessoas.

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É preciso ser muito perseverante para ser um escritor e publicar um livro?
R: Sem dúvida nenhuma. Além de perseverante, é preciso ter muita paciência e calma para não acabar caindo em armadilhas e ter prejuízos financeiros, além dos emocionais.

Quais eram seus passatempos que te levaram a querer contar histórias?
R: Ler! Sempre fui aquela garota estranha que vivia com a cara nos livros ao invés de ir pra balada. Os personagens dos mundos de fantasia eram meus melhores amigos e descobri que eu podia não só conhece-los pelos livros que eu lia, mas também pelos que eu poderia escrever.

O que você mais gosta nas suas histórias?
R: Eu amo que elas sejam protagonizadas por mulheres. E mulheres com diferentes formas de ver o mundo, que querem mostrar seu valor.

Você acredita que o Catarse se tornou uma via positiva para publicar os livros?
R: Com toda certeza! Eu mesmo não teria conseguido fazer a publicação impressa sem essa nova porta que o Catarse e outros sites de crowndfounding abriram para nós autores independentes. É sem dúvida uma nova aliada para o mercado de literatura.

Quais são seus autores preferidos?
R: Eu amo os livros do André Vianco, da Carina Rissi, da Sarah J. Maas, da Octavia E. Butler também! Ah, são muitos mesmo!

O que você está lendo agora?
R: Minha leitura do momento é uma pesquisa para o livro que estou escrevendo atualmente. Se chama “O livro celta da vida e da morte”, da autora Juliette Wood.

Você gosta de acompanhar os novos autores nacionais?
R: Amooo de paixão! Não só acompanho como faço questão de adquirir o máximo de livros nacionais que posso, seja físico ou em ebook. É muito importante esse movimento de valorização dos nossos autores. Inclusive leiam os autores independentes também! Temos muitos talentos escondidos.

Quais obras nacionais e/ou internacionais você indicaria para quem leu seus livros?
R: Quem é fã de scifi como eu, precisa ler a trilogia Anômalos, da Bárbara Morais. Ela arrasa! Tem também as obras do André Vianco, para os fãs de fantasia e terror. E românticos, leiam Carina Rissi, porque essa mulher é uma diva!

Poderia deixar uma mensagem para os seus leitores?
R: Eu nunca vou parar de agradecer a essas pessoas especiais que me apoiam e acreditam no meu trabalho. Obrigada de coração a cada um de vocês que virou página após página de um dos meus livros. Vocês são meus tesouros mais preciosos e #osmelhoresleitoresdomundo !!!!

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Segue todas as obras da autora:

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