[Livro] O Sal das Lágrimas – Ruta Sepetys

Vamos conversar sobre mais um livro incrível da Ruta Sepetys?

Olá, tudo bem?

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Uma perguntinha rápida: você sabe qual foi o maior naufrágio do mundo? Aposto que na sua cabeça passou Titanic… Pois bem, você errou!

Lançado pela Editora Arqueiro, o livro O Sal das Lágrimas vai ter quatro ponto de vista narrativo: Joana, Florian, Emilia e Alfred e cada um deles vai narrar os acontecimentos que a Segunda Guerra Mundial. Hitler ao perceber que os ânimos estão esquentando com o Stalin, resolve evacuar milhares de pessoas que ele chamava de remanescentes (pessoas que tinham um certo grau de parentesco com alemães que eram considerados puros), sendo assim, acompanhamos primeiro Joana, Florian e Emilia tendo as vidas cruzadas em meio a floresta à caminho para o porto de Kiel.

Emilia é uma polonesa de quinze anos de idade. Logo de cara já acompanhamos que um russo a capturou. Embora tente falar alemão, sai precário, e com isso denuncia sua nacionalidade colocando em risco, pois, não importa qual lado ela seja capturada seu destino a levaria para a tortura: ou nos campos de concentração alemães ou para os Gulags.

A Culpa é uma caçadora.

Minha consciência zombava de mim, procurando briga como uma criança petulante.

Florian um artista disfarçado, um prussiano cheio de remorso, ele só quer chegar logo ao porto mais próximo. Ele carrega consigo um segredo. Ele é um dos personagens mais enigmáticos, sabemos que ele trabalhava para um general alemão. Mas seu caminho cruza primeiro com Emilia.

O destino é um caçador.

Os motores zumbiram num enxame no céu. Der Schwarze Tod, “a Morte Negra”, era como os chamavam.

Joana, outrora, uma eximia estudante, aplicada assistente de medicina e lituana, consegue uma carta de recomendação do médico com quem trabalhava. Sua mãe tinha parentesco alemão, sendo assim, ela está viajando com um grupo de pessoas que estão correndo contra os soldados russos e se apegam a esperança de embarcar em um dos navios que estão no porto. Seu caminho cruza com Florian e com Emilia.

A vergonha é uma caçadora.

Eu ia descansar um minuto. Eu tinha um minuto, não tinha?

Alfred é um nazista! Mas não apenas isso, logo de cara a gente percebe a sociopatia dele. Em meio aos seus pensamentos, acompanhamos ele escrevendo cartas para sua  amada. Seriam elas reais? O caminho de Alfred só se cruzará com Florina, Joana e Emilia quando esses três chegam ao porto de Kiel.

O medo é um caçador.

Mas nós, bravos guerreiros, afastamos o medo com um peteleco. Rimos na cara do medo, o chutamos como uma pedra na rua. Sim, Hannelore, redijo estas cartas primeiro em minha mente, já que não posso abandonar os meus homens com a mesma frequência com que penso em você.

Quando perguntei para você do maior desastre naval é porque muitas vezes assimilamos ao Titanic, mas infelizmente os números das mortes no MV Wilhelm Gustloff foi de proporções ainda maiores.

A Ruta Sepetys é filha de lituanos e seu pai passou pelo horror da guerra. Assim como em Cinzas na Neve, aqui ela nos dá um panorama de como foi a Segunda Guerra principalmente para os povos da região dos Bálticos, afinal, até mesmo nas escolas sempre acompanhamos mais o que ocorreu ali na Europa e nos E.U.A, e acaba ficando para terceiro plano esses países que estavam no meio de duas potencias cruéis comandadas pelo Hitler e Stalin.

O som do disparo havia aberto uma cicatriz em minha mente. Lembranças descartadas começaram a vazar, a gotejar da abertura. Botas. Gritos. Vidros estilhaçados. Armas disparando. O crânio batendo na madeira.

Quando os quatro personagens embarcam no MV Wilhelm Gustloff nos damos conta que um navio que tinha a capacidade para quase 1500 pessoas, está super lotado. E é aqui que entro com os fatos: estima-se que no navio, quando ele saiu do porto de Kiel no dia 30 de janeiro, estava com a lotação com mais de 10 mil pessoas. Uma viagem que era para durar 48 horas, não vai muito longe, pois um submarino soviético identifica que o navio é nazista e lança 4 bombas, que carregavam dizeres: “Para a Pátria”, “Para Stalin”, “Para o povo soviético” e “Para Leningrado”.

Dessas quatro torpedos lançados contra o Gustloff três são certeiros, fazendo com que o navio afunde em menos de 1h.

O Gustloff tinha apenas doze botes sava-vidas. Os outros dez haviam desaparecido.

Mas sabe o que mais me chocou nisso tudo e que agora, enquanto escrevo essas linhas chega me dar um nó na garganta? É que estima-se que mais de 9 mil pessoas morreram nessa tragédia e dessas 9 mil pessoas, possivelmente, 5 mil eram apenas crianças.

E isso nos leva uma cena do livro em que, momentos antes do navio sair completamente de Kiel, mães jogavam seus bebês para os soldados que estavam no bordo. Imagina o desespero dessas mães para salvar seus filhos.

Sim, sei que tudo isso deve soar hostil, mas isto é guerra. Os homens valentes são reduzidos a números. Esses números são gravados duas vezes num disco oval de metal que penduramos no pescoço. Na eventualidade da morte, esse disco é quebrado ao meio. Metade será sepultado com meu corpo, e a outra metade será entregue ao comando, com meus documentos e meus pertences. Sou o 42089.

Em 2015 completaram 70 anos desse fato. Já estamos em 2019 e muitas pessoas nem se recordam do terror das guerras e isso me dá medo. A autora ela retrata uma ficção (já que os personagens principais são ficticios) com um pano de fundo bem real, mas que nós fingimos que só existe nos livros e eu me pergunto até quando vamos permanecer na bolha.

Esse livro pode ser considerado um complemento do Cinzas na Neve, porque, enquanto Lina, lá no outro livro está indo para os Gulags, aqui Joana está indo para o Nazismo. Você ao ler esses livros vai entender o que quero dizer.

O Wilhelm Gustloff estava prenhe de almas perdidas, concebidas na guerra.

Foi um livro que me deu vários nós na garganta e quando eu li as ultimas páginas foi impossível segurar as lagrimas, e detalhe que eu estava no trem cheio de pessoas. Chorei por todos os mortos. Por todas as crianças mortas. Pelo terror de uma guerra. Pelo desespero das pessoas. Chorei por sentir medo de que um dia a história se repita.

Enquanto eu lia esse livro me lembrei especificamente de duas pessoas e são para elas que dedico essa resenha: a minha primeira professora – não oficial – de história que foi a minha irmã Willyane Amorim e para um dos professores de história que mais admiro Cézar Vaz.

O naufrágio do Gustloff é o maior desastre marítimo que já houve, mas o mundo ainda não sabe nada sobre ele. Muitas vezes me pergunto se um dia isso vai mudar ou se ele continuará a ser apenas mas um segredo engolido pela guerra.

Um beijo e até mais.

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Um comentário em “[Livro] O Sal das Lágrimas – Ruta Sepetys

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  1. Adorei a ideia de um livro do ponto de vista dos países balticos, estavam super envolvidos no confronto, mas a gente não ouve falar muito mesmo.

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