[Livro] Tolos e Mortais – Bernard Cornwell

Umas das maravilhas do teatro é que não importa o que apresentamos à plateia, eles acreditam. “Eles querem acreditar”, explicou certa vez meu irmão. “Eles fazem a metade do nosso trabalho. Eles vêm ao teatro querendo se divertir, querendo se impressionar, se espantar, se assustar. E têm imaginação, e a imaginação deles faz reparos em nosso trabalho.

Olá, tudo bem? Sei que estava meio sumida com as postagens, mas prometo que agora em março as coisas voltarão as ordens. Peço desculpas pelo transtorno.

No começo do ano, quando postei a foto do livro O Andarilho, segundo livro da trilogia A Busca do Graal, um moço muito simpático me chamou para participar da leitura coletiva dos livros do Bernard Cornwell, inicialmente, com livros de volume único do autor e foi assim que me apaixonei por Tolos e Mortais.

Primeiro que esse livro sai totalmente da “zona de conforto” do que o autor normalmente escreve. Quem já leu Cornwell sabe que seus livros são aclamados pelo contexto histórico que sempre se passa a ficção e também é conhecido pelas cenas de batalhas maravilhosas que ele escreve. Porém Tolos e Mortais não vem com essa adrenalina de cascos de cavalos correndo contra o inimigo, mas sim sobre o teatro.

O personagem principal se chama  Richard, um jovem rapaz de vinte e poucos anos, ator e que ainda não ganhou nenhum papel masculino nas peças que são apresentadas pelo Theatre, aonde seu irmão mais velho é sócio e escritor das peças. Alugueis atrasados, passando frio no inverno congelante de Londres, ganhando menos de 2 xelins por semana – isso quando ganha – e a frustração de sempre interpretar moças, Richard recebe uma proposta para roubar a peça de teatro que o seu irmão escreveu para um casamento. Em meio à perseguição religiosa, poder politico, mentiras e o amor, Richard deverá provar seu caráter e quão bom ator ele realmente é.

Já vi homens que atuaram a vida inteira vomitando dentro de um balde ao lado da porta que leva ao tablado, e outros sujeitos, pálidos como a morte, tremendo de maneira incontrolável ou disfarçando um sinal da cruz; no entanto, ao ouvir a deixa,eles escancararam a porta e surgem confiantes à luz. Sorriem, seus mantos giram com grande charme e os espectadores os saúdam com interjeições, até com aplausos, e por quê? Porque eles sabem  dissimular.

Cornwell sabe envolver o leitor. O que amo em seus livros é a gama de informações históricas que ele nos passa, sempre sua ficção está  sendo apresentada com um fundo histórico, e muitas vezes durante a leitura, você reconhece batalhas, personalidades e até mesmo mitos que já foram contados nas salas de aula. Tudo isso também é apresentado com uma nota histórica no final de cada livro, informando ao leitor.

Nesse livros, por exemplo, muito me admirei em saber que os teatros floresceram novamente na Inglaterra de 1570 e 1590 quando a Rainha Elizabeth estava no poder. Se a gente parar para pensar, em 1590, o Brasil era uma jovem nação ainda. Outro ponto que me chamou muito a atenção também é que a igreja protestante daquela época fazia um papel similar, dada as proporções, do que a igreja católica fez na inquisição. A igreja protestante perseguia qualquer pessoa que fosse católica, matando-os. Um simples sinal da cruz já era motivo para  a agressão.

“Eles acreditam que estão fazendo o bem Richard. Quando os homens fazem o mal e afirmam que estão fazendo o trabalho de Deus, tornam-se extremamente perigosos. São mais do que perigosos! São os pecadores mais abomináveis.” …

“Pobres almas… Vi sim. E rezei por eles também. Eles estavam errados, é claro, mas, se queimássemos todo homem e toda mulher que erra, as fogueiras jamais acabariam – Ele suspirou. – A Rainha Mary, pobre mulher, achava que poderia purgar a Inglaterra com fogo. Mas não podia, assim como Elizabeth não pode purgar o país com sangue.”

Embora todos os livros que li do autor me parecem arrastados no começo, são, ainda assim, ótimos livros que me envolve e me  faz querer buscar mais informações a respeito do período mencionado. Neste livro em especifico,confesso que fiquei curiosa para saber sobre uma celebre personalidade que muitos amam suas peças. A forma com que o Cornwell escreve, faz com que sentíssemos estar vendo o que ocorre. Não é atoa que ele se tornou um dos meus autores preferido.

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“Nós não trabalhamo; nós encenamos,ou seja, brincamos de faz de conta. Somos atores, e o teatro é onde brincamos”

Caso tenha interesse em participar da leitura coletiva, é só procurar o @hqbierman, que é o idealizador da leitura, ou me procurar lá no Instagram. Se ficou curioso para saber o cronograma, segue as leituras dos próximos meses:

FevereiroTolos e Mortais

MarçoWaterloo

AbrilO Forte

Maio O Condenado

JunhoAzincourt

JulhoStonehenge

Beijos e até 😉

 

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