[Mangá] I Am A Hero – Kengo Hanazawa

i-am-a-hero3Qual o clichê de uma história de zumbis? Não seriam personagens destemidos lutando pra sobreviver a essa nova condição? Ou as “criaturas” que surgem sabe-se lá de onde e começa a provocar o caos? Pois I am a Hero vai te mostrar um outro tipo de pessoa tentando sobreviver a tudo isso.

O primeiro volume desta série é uma quebra de expectativa muito grande. Se o leitor chega achando que já vai entrar na história com o apocalipse instaurado, ou cenas de ação e “horror”, logo de cara vai se decepcionar. Esse primeiro volume (e é somente dele que irei tratar aqui) é uma apresentação do personagem Hideo Suzuki, mostrando como é a personalidade dele e preparando o leitor para o que esta por vim nos volumes seguintes.

i am a heroHideo Suzuki é um cara de 35 anos, assistente de mangaká, cheio de manias e trejeitos, muito medroso e vive um relacionamento  instável e que esta totalmente sem perspectiva de que vá melhorar. Três anos antes do tempo que se passa a história, Hideo teve um mangá seu publicado, mas foi um fracasso sendo cancelado no segundo volume; desde então além de fazer o trabalho de assistente, ele tenta que novos mangás seus seja publicado, mas é sempre recusado pela editora.

Ao longo do volume, percebemos as paranoias e manias de Hideo, como não conseguir dormir por ter ouvido histórias de terror de um colega de trabalho, ou ter várias fechaduras na porta de sua casa e sempre checar à maçaneta quando sai de casa. Mas o mais curioso é a presença de um garotinho com quem Hideo conversa e só ele vê, uma espécie de amigo imaginário (ou na minha interpretação, uma manifestação de si numa forma mais infantil e frágil).

Tetsuko kurokawa, nome da namorada do personagem principal, uma ex-assistente que conseguiu publicar uma série. Ela é sempre carinhosa e amorosa com ele, o elogiando e tentando incentivá-lo, mas ao mesmo tempo vive falando do ex-namorado que também é um Mangaká (um de relativo sucesso), que ainda mantém contato e troca experiências com ele sobre os trabalhos. Esse tipo de atitude acaba deixando Hideo sempre inseguro. Mas é quando bebe que Kurokawa mostra seus reais pensamentos e acaba por ridicularizar Hideo e sua condição.

Tudo isso que falei ate agora parece ser irrelevante para uma história de zumbis, mas é uma excelente construção do personagem principal e uma quebra de expectativa muito boa para o personagem clichê desse tipo de história. Já que na capa da edição temos um personagem de cara seria e segurando uma arma imponente auto proclamando-se um herói (coisa que ele diz muito para si ao longo do volume), é uma preparação muito instigante para o leitor ficar na curiosidade em saber o que ele vai fazer quando o caos se instalar. E esse é um ponto bem interessante, à medida que o volume vai passando, ao mesmo tempo em que acompanhamos o dia a dia dele, no plano de fundo vemos as noticias de que esta acontecendo algo no mundo e, que por sinal, ele nunca presta atenção, só mantem a TV ligada para ficar olhando para as apresentadoras ou ter algo funcionando quando está sozinho.

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O “apocalipse zumbi” não acontece no nada, vai acontecendo gradativamente, mas parece que ninguém dá muita importância, quando, por exemplo: “um idoso morde uma criança”, ou “uma doença misteriosa se alastra e está afastando muitas pessoas das suas rotinas”. As coisas vão se desenrolando aos poucos, mas esta acontecendo, só que ninguém parece querer ver.

No final desse volume temos a primeira cena concreta de que algo vai acontecer e vemos isso pela visão (enquadramento digo) do próprio Hideo, uma cena de quatro páginas duplas que achei genial, e que só deixa uma grande expectativa para a continuação.

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Bem, eu não sei qual será o rumo dessa história, mas I am a Hero promete ser uma história que veio para desconstruir o gênero, pelo menos em relação ao protagonismo da história de sobrevivência, onde por mais que os personagens não estejam preparados para a situação, eles sempre têm algum tipo de “habilidade ou aptidão” para conseguir lutar. No caso do nosso controverso protagonista aqui, não é bem assim.

O mangá acaba de ser lançado aqui no Brasil pela Editora Panini e teve um total de 22 edições lá no Japão, o que provavelmente será o mesmo por aqui!

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