[Devaneio] Tempo bom que não volta nunca mais

Olá, tudo bem?

Esse vai ser mais um daqueles devaneios bobos, mas que são necessários colocar pra fora, se deixar muito tempo em minha cabeça é mais fácil que vire uma angústia só e seria impossível faze-lo sair depois.

Estou em um aniversário, infantil, mas sabe quando você percebe que está fora do contexto? Não, não é por ser uma festa de pimpolhos, mas é pelos adultos.

Rá! Você deve estar pensando que vou me queixar da festa, mas engana-se você. Aqui foi sim, por algumas frações de segundos ao longo do meu dia a onde eu queria estar, e o que muitas vezes  me alavancou para essa vontade era  que simplesmente eu me recordava da época da minha infância. Como assim? A mãe do pimpolho aniversariante é uma pessoa que por muitos anos eu era unha e carne, sabe aquelas crianças que pegava papelão e se escorregava no barro? Pois bem, essa era minha brincadeira favorita e foi ao lado dessa menina que ri muito.

No final do ano passado houve um triste incidente que, após anos sem vê-la (afinal a última vez que eu a vi foi a ponta do inicio de uma frustração ) e as circunstâncias nos deixou mais distante do que seria possível.

Sei que crescemos um dia e muitas vezes isso é  o nosso desejo, íntimo ou escrachado; nos tornarmos donos do mundo, ou pelo menos do nosso mundo, e é quando crescemos que acabamos nos distanciando de pessoas, são poucas as pessoas que sobrevivem a essa catástrofe que nossas vidas segue. E isso que me deixa chateada, a distância que se  tornou as nossas vidas, um abraço já não constrói mais a ponte de dias ou meses sem se ver. O obrigado as vezes parece uma palavra alheia, só uma cortesia. Aliás, não passa disso, apenas sinais e palavras de pura educação do qual sempre agimos com qualquer desconhecido.

O ruim mesmo, disso tudo, é que a maior pessoa que está sentindo, e está em minha frente, é uma mulher que a pouco perdeu a mãe, irmãos e a irmã: mulher essa que sempre esteve ao seu lado. Essa mulher sofre pelas perdas, sofre pela distância que suas filhas e sobrinhas criaram, o pequeno muro que as separa – e antes elas eram tão inseparáveis – mas o que podemos fazer? Se tornar um adulto é perder ou deixar de lado aquele mundo encantado onde as crianças vivem juntas (e quando não vivem juntas sabem transitar de um mundo para outro sem obstáculo algum).

Falei muito e não disse nada. Mas eu precisava dizer. A garganta dói, os olhos ardem, o corpo sente o peso e o coração mergulha nas ondas da tristeza.

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