[Livro] Trilogia dos Espinhos: King of Thorns – Mark Lawrence

Spoiler

Oooopaaa! Pode pintar spoiler nesta postagem, uma vez que estamos falando do segundo volume da Trilogia dos Espinhos. Bom, eu não tenho problema algum com spoilers, mas se você é uma pessoa que sofre com isso, pode ser, que não seja o momento para você ler essa postagem.

Olá, tudo bem?

Agora que já avisamos sobe spoilers, bora conversar um pouco sobre esse livro.

king-of-thorns-capa

Depois de assassinar seu tio e garantir um pequeno reino nas montanhas, o jovem Jorg agora encara um inimigo carismático e poderoso – o Princípe de Arrow -, que parece destinado a reunir o Império Destruído. A ação salta entre o presente e o passado, e nos mostra como Jorg viajou pelo império e conseguiu reunir recursos e forças para enfrentar uma batalha aparentemente impossível de ser vencida. Acompanhamos também a história pelo ponto de vista de Katherine, a mulher que Jorg deseja mais do que ninguém, e que ele está destinado a não conquistar jamais. Apesar de Jorg continuar a ser o mais maquiavélico dos protagonistas, sem hesitação para matar, mutilar ou destruir, caso isso o ajude a alcançar seus objetivos, passamos a compreendê-lo melhor neste livro, e é impossível não torcer por ele. Ele consegue renovar e dar uma reviravolta brutal, explodindo com todas as armadilhas românticas da grande fantasia – lealdade, honra, o bem contra mal e a fé em um causa maior. Às vezes, quando você vê aquele cavaleiro branco em seu cavalo, com uma armadura reluzente e um sorriso brilhante, só quer atirá-lo no chão e dar-lhe um murro na cara dele por ser tão perfeito. Se você já teve essa sensação algum vez, Jorg é o cara.

“Muitos homens não aparentam o que são. A sabedoria pode estar por trás de um sorriso bobo, a bravura pode espiar de olhos que choram de medo”

Para começo de conversa, se o primeiro livro já me deixou bem empolgada, o segundo conseguiu superar, mas confesso que como no Prince of Thorns, eu fiquei muito confusa no inicio. Sério! Algumas vezes ficava me perguntando se eu havia entendido bem o primeir volume desta trilogia, até que as peças começaram a se encaixar.

Assim como mencionei na Impressão Literária de Prince of Thorns, eu várias vezes fiz o link com a trilogia da Mão Esquerda de Deus, inclusive na parte da loucura do jovem Jorg, que aqui já está com 18 anos.

“Os fatos viram ficção muito rápido e, estranhamente, quando os fatos viram lendas, as pessoas parecem mais dispostas a acreditar.”

Bem na realidade vamos acompanhar o Jorg com duas idades, com 18, que é o dia de seu casamento e com 14 anos, quando ele vai em uma jornada para ajudar o Gog, menino necromante que está sendo consumido pelo fogo. Mas não é só isso, acompanhamos os aliados e inimigos que ele faz pelo trajeto e isso vai encaixando completamente com o dia do casório.

Tenho que confessar uma coisa, uma dos motivos de eu ter comprado os livros inicialmente era pela capa, tenho essa mania insistente, e por sorte, raramente dou com “os burros n’água” e acabo acertando nas minhas escolhas (modestaaaa), e quando terminei a leitura de King of Thorns eu simplesmente fechei o livro e fiquei olhando para a capa, e puta que pariu, o crânio na mão dele… cara… a parte que ele conta sobre isso no livro… e estar na capa… e até então eu não havia percebido… Isso foi uma surpresa para mim, e fiquei reparando em todos os detalhes da capa… ela conta muito da história.

“Um homem é feito de lembranças. É tudo o que nós somos. Momentos capturados, o cheiro de um lugar, cenas reproduzidas repetidamente em um pequeno palco. Nós somos lembranças amarradas em histórias – as histórias que nos contam sobre nós mesmos atravessando nossas vidas até o amanhã. O que a caixa continha era meu. Era eu.”

As partes que são narradas pela Katherine, a principio, estavam me irritando muito. Sério, como elas estavam sendo chatas. Mas as passagens dela – que são feitas no diário dela – vão dar pistas e vão desanuviar muitos pontos de interrogação.

Ah, uma coisa: no primeiro livro você havia percebido que essa história passa em um futuro pós apocalíptico? Pois bem, eu não havia reparado, embora em muitos momentos fiquei com a pulga na orelha como é que ele recitava Shakespeare ou os grandes filósofos. No segundo volume da trilogia isso fica bem nítido da metade para o final, ficamos sabendo, de uma forma superficial, que eles estão sim no mundo pós apocalíptico e poxa, basicamente voltaram para a idade média.

“Memórias é tudo que nós somos. Momentos e sentimentos, capturados em âmbar, amarrados em filamentos de razão. Tire a memória de um homem e tomará tudo dele. Debaste uma lembrança de cada vez e você o destruirá tão certamente como se martelasse prego após prego em seu crânio.”

Em relação aos bruxos que ficam jogando com as pessoas e que o Jorg faz de tudo para não ser instrumentos deles, cara eu estava me irritando bastante. Um dos motivos é que a maioria da minha confusão partia por causa deles. A cena no pântano estava me dando aflição. Eu não gostava de ler e estava me sentindo sufocada.

Mas a cena que eu mais fiquei desesperada – sério eu estava fazendo careta de desespero – foi a primeira tortura que o Jorg fez por causa do FDP do pai dele. Essa cena, prepare seu coração.

“Mas eu não sou ele [o Jorg de quatro anos atrás]. Eu não sou ele porque nós morremos um pouco todo dia e gradualmente nascemos outra vez, homens diferentes, homens mais velhos com as mesmas roupas, com as mesmas cicatrizes.”

A respeito da loucura do Jorg, eu não sei ao certo se me agrada a forma como é dita, cara, eu devo ter problemas, porque eu não queria que ficassem utilizando ele como uma criança violenta e por isso ficou louco. Deixa o garoto ser violento porque ele quer vencer os bruxos e vencer a Guerra Centenária, por isso ele gosta de cortar cabeças e depois chutá-las.

Sim, esse livro me mostrou que eu amo Dark Fantasy, esse é o legal, depois de muito tempo apenas sabendo o que eu não gostava (romancezinhos) eu estou conseguindo criar uma própria linha em meu gosto literário, e posso dizer que a obra do Mark Lawrence está me ajudando nisso.

“Para crianças há um pavor em descobrir as limitações daqueles que você ama. A hora em que você descobre que sua mãe não pode protegê-lo, que seu tutor cometeu um erro, que o caminho errado precisa ser tomado porque os adultos não tem força para tomar o correto… cada um desses momentos é o roubo de sua infância.”

Por fim, só me arrependo de uma única coisa: não ter levado flags na minha mochila para marcar todas as frases boas desse livro. Cara, que livro cheio de frases boas, além de ter um humor sarcástico muito, muito bacana.

Posso não ter dado cinco estrelas, porém em contra partida está na minha lista de livros que quero re-ler.

Um beijo e até mais.

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