[Devaneio] 24 Anos do que Sou

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !

[…]

Olá, como vai você? (Isso me lembrou uma música)

Você acabou de ler o primeiro verso de um poema que, quando criança, aprendi a recitar e não foi na escola que aprendi, foi com a minha irmã, ouso dizer, que na matéria de português, ela foi a minha inspiração para aprender a ler rápido e ler mais. Esse poema se chama Meus Oito Anos e foi escrito pelo Casimiro de Abreu, eu nunca me esqueci desse poema, nem menos esqueci que a Ruth Rocha (Ai Que Saudades…) e o Chico Buarque (Meus Doze Anos), fizeram poemas respostas. Mas a realidade – e necessidade – de mencionar este poema é muito mais intimo, muito mais intrínseco.

Ai que saudades não tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais…
Me sentia rejeitada,
Tão feia, desajeitada,
Tão frágil, tola, impotente,
Apesar dos laranjais.

[..]

09 de maio, todas as vezes é nesse poema que penso ao decorrer do dia. A simples resposta é que é meu aniversário, mais um ano que cresço e me afasto da minha criança, mais um ano que envelheço, mais um ano de vida. Me questiono bastante nesse dia, ele não é aquele que eu apenas comemoro e fico agradecendo quem me deseja felicidades e dá os parabéns, não! É no meu aniversário que revejo todos os meus conceitos, que reformulo minhas ideias, que renovo minhas ações, replanejo minhas metas e penso: aonde é que estou? Também é nesse dia, que mesmo eu envelhecendo e me distanciando da minha criança, temos um encontro aonde eu me aproximo dela e compactuo certezas, decisões, medos, sonhos e saudades.

EUMeu nascimento é uma história que muitos gostam de contar, principalmente meu pai. Havia uma festa super bacana organizada pela Associação de Moradores daqui, meu pai, assim como minha mãe, eram membros ativos da associação. Minha mãe, coitada, passou o dia das mães fazendo bolo para a festa, pois sim, era o Dia das Mães e foi quando nasci. Meu nascimento foi anunciado durante a festa para todos os moradores que estavam aqui, até alguns anos atrás nós tínhamos um VHS com a filmagem, pensando agora é até estranho ouvir alguém comentando do meu nascimento assim – mais estranho ainda é você parar pra pensar no boom que a tecnologia teve e hoje VHS e MP3 fazem parte das memórias mais envelhecidas… mais vividas.

Sou a irmã caçula. A terceira. A mais mimada, chata e arrogante (quem sabe). Também sou a que menos tem paciência, a que mais tem livros, a que menos fala o que realmente pensa e a que menos escuta o que falam e a que mais conta as histórias dos pães fritos que meu irmão fazia pra mim.

Estudo Ciência da Computação e ultimamente ando me torturando com questionamentos sobre a minha escolha, – acho que isso até daria para ser um futuro assunto de devaneio aqui no blog – , quando ainda era uma pirralha meu verdadeiro sonho era me aventurar pelas tumbas do Egito Antigo e ser uma Arqueóloga (na realidade e bem mais especifico, uma Egiptóloga), mas só desbravei algumas aventuras mesmo no quintal de casa, imaginando que lá existia a República Federativa de Formiganópolis (é encantador a imaginação que uma criança tem) e que elas tinham casas super bem desenvolvidas, pois, eram de uma espécime além do que imaginávamos e esperávamos dos ETs, quando chovia sempre imaginava elas desesperadas, recolhendo seus pertences, pois a chuva estaria alagando suas casinhas (haha as vezes tenho uma mente macabra demais, creio que foram anos e anos assistindo CSI, Bones, Criminal Mind e etc…). Mas a minha imaginação fértil meio que está bloqueada, não sei se é pelo fato de que acordo super cedo pra trabalhar, depois vou pra faculdade e chego super tarde, dormindo em média 3 horinhas por dia. Ou seja, vivo com sono e, não que seja justificável meus atos falhos, principalmente com o povo de casa, mas em alguns momentos paciência é tudo que anseio ter e é justamente o que me falta e a unica coisa que penso o dia inteiro a maioria das vezes é o momento glorioso de me jogar em cima da minha cama e dormir profundamente.

Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Sou tão tranquilo e tão contente

Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém

[…]

Trecho da minha música preferida – Quase Sem Querer, Legião Urbana

São 24 anos anos hoje.

Queria poder dizer que são 24 anos de muitas certezas, mas não posso dizer rs. Na realidade, cada ano que se passa tenho muito mais dúvidas e inseguranças do que no ano anterior. Em contra partida são 24 anos de agradecimento, se antes as mudanças me amedrontavam, hoje, embora elas me intimidam ainda, eu sei que elas são necessárias, são elas que constroem a história da minha vida, que, assim como a de todos, é cheia de percalços, amores, gratidão e alegrias; respeito, excessos, indiferenças e aprendizagens.

Queria listar coisas que aprendi, mas ainda não é o momento.

Também queria listar pessoas a quem sou agradecida, mas não vou ficar digitando nomes e nomes. Mas posso dizer muito obrigada a minha família: Pai, Mãe, Irmão, Irmã, Cunhado, Sobrinho e Sobrinha. Eles sim, estão presentes em cada momento, nem que seja pra discordar, apoiar, rir ou olhar. Eles não tem noção do quanto eu agradeço por ter cada um como membro da minha vida (como falei, não digo tudo o que penso).

Control your emotions! Discipline your mind!

(Frase do Snap quando ele está ensinando o Harry a bloquear sua mente para que o Voldemort não veja)

Control and Discipline
Sim, estou fazendo 24 anos mas meu amor pela saga do HP é grande.

Também ganho a cada ano que passa amigos. Não sou a mais popular de amizades, rs, sou um pouco difícil em confiar nas pessoas, só que há pessoas que são fundamentais, e algumas resistiram ao tempo, a distância e as minhas negativas para sair. Pessoas da época da escola, são raras. Dos cursos que fiz – espanhol, Senac, inglês, ETEC, faculdades… – são alguns. Da época em que fui catequista, digo com toda a certeza que uma ou duas sobreviveram aos anos de amizade. Dos trabalhos que passei, poucos mais essências. E do novo trabalho, garanto que 3 são fundamentais. Sou transparente no quesito em mostrar meus sentimentos e emoções. E sou intensa. Intensa em demonstrar cada sentimento que tenho, as vezes a intensidade e transparência atrapalham, mas essa sou eu, não é!? E agora entra uma contradição: por duas vezes, pessoas que não se conhecem, de idades e ideias diferentes me disseram que sou múltiplas facetas, seria isso as faces de 24 anos vividos? Não me sinto uma adulta, mas estou longe demais da minha infância. Amo ouvir meus rocks, ler, escrever – embora eu me saboto nesse quesito, mas tenho cadernos cheio de pensamentos e a maioria das vezes que estou com o meu celular na realidade estou escrevendo e não nas redes sociais -, amo minha família, amo dormir, observar as pessoas e ir em papelarias, cafeterias e estações de trens. Já tive decepções muito dolorosas, aquela que você sente vontade de arrancar teu coração – sim, sou dramática e amo ser dramática -, embora não é o coração que rege a nossa vida, né não!? E quando digo das decepções não estou me referindo as amorosas – essas são inevitáveis em algum momento da vida, embora a que tive deixou uma marca profunda e um aprendizado incrível -, também me refiro as amizades – talvez você, meu novo amigo, agora entenda algumas ações minhas de me manter afastada a maior parte do tempo. São tantos sentimentos, tantos pensamentos que PAN – tela azul do Windows (sou péssima com piadas e ótima com sarcasmo). Eu não sei, muitas coisas se passam agora em minha mente, muitas coisas eu escondo de mim mesma. Enfim, como diria o Roberto Carlos, são tantas emoções que vivi, que é difícil ser sucinta.

 

Obrigada a você que teve a paciência de ler até aqui, pois nesse momento, aqui nossas histórias se conectam, apenas um ponto ou dependendo de quem você seja, vários pontos.

 Hoje é meu dia! Dia de pensar, de comemorar, de rir e chorar. Dia de renascer.

 

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